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Edição 162
ENTREVISTA – Thiago Dotta

Do ferro velho para o Alphaville

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Huaíne Nunes

Publicado em 20/06/2022


Nascido em Altônia, no Norte do Paraná, Thiago Dotta chegou em Cascavel aos oito anos de idade, em 1996, acompanhando a família. O pai, bombeiro militar, e a mãe, professora de espanhol e português.

Ou seja, nenhum vínculo com mecânica. Porém, “a cidade grande” trouxe uma nova perspectiva para o menino, curioso e observador por natureza. Sempre estudando em escola pública, começou sua carreira profissional limpando o pátio, cortando grama e ajudando na manutenção do Ferro Velho Picolotto.

No primeiro curso técnico no Senai – de Aprendizagem e Mecânica Automotiva – se apaixonou pela área. Hoje, é o maior especialista em transmissões automáticas do Brasil, professor e mentor com mais de 6 mil alunos em vários países como Brasil, Paraguai, México, Portugal e China, entre outros, além de comandar vários negócios.
 
Thiago Dotta iniciou sua carreira profissional limpando o pátio do Ferro Velho Picolotto.
Hoje comanda nove empresas
 

De que forma o Senai mudou sua vida? 
Me ensinando princípios, ética, procedimentos e muita técnica para atuar no segmento. De aluno inicial para aluno da Olimpíada do Conhecimento, com destaque nacional (segundo lugar do Brasil). Depois fui instrutor pelo Senai por sete anos.

Igualmente, de que forma as experiências no Ferro Velho Picolotto transformaram você no que é hoje?
Aprendi que nas atividades mais simples e cotidianas devemos nos empenhar e dar o nosso melhor; independente de cargo ou salário, entregue sempre o seu melhor. 

De onde vem essa grande capacidade de empreender?
Ainda não sei ao certo, mas vejo potencial em tudo, qualquer problema pode se tornar uma grande oportunidade. Foi o que eu fiz no meu setor, me transformando em um dos maiores instrutores do Brasil.
 

“Vejo potencial em tudo, qualquer problema pode se tornar uma grande oportunidade”


Me fale um pouco dos seus negócios atuais...
Estou com vários negócios, confesso que às vezes não me lembro de todos. Medcar Serviços; Medcar Premium (venda de automóveis); Dotta Treinamentos (cursos presenciais e on-line para mais de 6 mil alunos em sete países); Po360, cursos e consultorias para oficinas mecânicas; Riverflow, agência de lançamentos e estratégias digitais; Box459, oficina mecânica no Alphaville em São Paulo; Box 459, loja de carros premium também no Alphaville; Speel Solar, energia solar, carregadores para carros elétricos e Unimec (Universidade do Mecânico), em São Paulo.

São mais de cem colaboradores diretamente ligados às empresas, com mais 40 terceirizados. 

Como é estar à frente de negócios tão especializados?
Com uma boa equipe de líderes, tudo fica mais fácil. 

Com tantas transformações, o que mudou em você como empresário nessa última década?
Na verdade, sou empresário da última década. Meu objetivo principal são pessoas, todos os negócios levam à transformação de alguma forma. 

Qual raciocínio guia seus investimentos?
Invisto no maior ativo de Deus, as pessoas. 

Na Autoboost você ministra cursos de mecânica, certo? Como vê os mecânicos da geração atual? Este mercado está se abrindo mais para as mulheres?
Estamos com uma carência mundial de profissionais nos setores tecnológicos, isso traz oportunidades na área de ensino. Já tive mulheres atuando na área técnica e operacional, acho fantástico e elas se sobressaem.

Tenho uma quantidade grande de mulheres atuando nas empresas; em algumas das empresas, 90% dos cargos são delas.  
 

“Estamos com uma carência mundial de profissionais nos setores tecnológicos, isso traz oportunidades na área de ensino”


O que entendemos por mecânica hoje vai mudar muito com a tecnologia?
Já mudou, eletrônica já dominou o mercado e não temos mais volta, precisamos de técnicos preparados para esse novo modelo de manutenção. 

Quais foram seus maiores erros na carreira e o que aprendeu com eles?
Acreditar que apenas com conhecimento técnico eu teria destaque. Errei muito na gestão e isso custou muito caro. Mas aprendi e hoje ensino em meus cursos, palestras e consultorias. O gestor precisa ser ativo em todas as empresas, independente da atividade. 
 

“Meu maior erro foi acreditar que apenas com conhecimento técnico eu teria destaque. Errei muito na gestão”


Qual o desafio de mudar de Cascavel para uma metrópole como São Paulo?
Muito simples, um chamado de Deus. Não foi fácil deixar a vida confortável, aqui, para iniciar os projetos por lá, mas confesso, estou em paz e muito motivado. Alphaville me ensina diariamente. 

Qual o seu vínculo com Cascavel?
Empresário em vários segmentos, por isso, ainda estou aqui todos os meses. Mas o que mais me prende aqui é a gratidão de uma cidade que me tirou do ferro velho e me levou para Alphaville, por isso, tenho que deixar um legado por aqui. 

O que sente quando está mexendo no motor de um carro? E dirigindo?
Sentimento de muita responsabilidade, afinal, famílias usam de meio de transporte diariamente. Sei da minha responsabilidade com a vida das pessoas; por esse motivo não aceito fazer serviços pela metade (mais baratos). Sou tachado como caro, mas tenho paz no coração que estou fazendo apenas o que é o certo, sem o famoso dar um jeitinho.  

Finalmente, na sua opinião, por que você chegou onde chegou?
Por que acreditei em Deus o tempo todo, por não ouvir pessoas que construíram menos do que eu. Por me dedicar das 4 h da manhã até às 23 horas. Por entender que o meu resultado só depende de mim e de mais ninguém.

Por não transferir a culpa dos meus erros para o mercado, para o governo ou para qualquer outra coisa. Eu estou sempre colhendo aquilo que planto; sendo assim, se não estou feliz com a colheita, devo sim mudar o plantio.
 

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