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14 anos de história
Edição 163
PRIMATO

Capitalizada para o futuro

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 13/07/2022



A Primato chega aos 25 anos com forte crescimento e apetite para novos investimentos ancorados no
“Projeto Somos Coop 2033”, um marco na cooperativa

Com uma atuação de vanguarda, e sempre quebrando paradigmas, a Primato Cooperativa Agroindustrial, mais uma vez, mira o futuro com otimismo. Além do bom desempenho - chegou a seu primeiro bilhão de faturamento no ano passado - a cooperativa se beneficia de seu próprio legado.

Uma história de 25 anos que começou com 29 cooperados, hoje tem mais de 9 mil e, em três anos, quer dobrar a sua estrutura e volume de negócios. 

Por trás desta agenda de crescimento está o “Projeto Somos Coop 2033”. Amplamente discutido e aprovado em assembleia, o projeto prevê que até 2033 as sobras serão capitalizadas justamente para fomentar a expansão.

Para fazermos estes investimentos, nós temos que pegar nas mãos de algumas pessoas, entre elas, nossos cooperados e nossos colaboradores”, explica o presidente, Anderson Sabadin.

E aí está o grande trunfo da cooperativa: foco nas relações pessoais. “Se o produtor e o colaborador se sentirem pertencentes, o projeto se viabiliza. Esse sentimento de pertencimento é o que fez a Primato crescer e se desenvolver e continua sendo sua fortaleza. O coração da Primato está nas pessoas”, observa. 

A proximidade física com o produtor é uma das estratégias para honrar esta herança cultural. Tudo é cuidado de perto. Para isso, a cooperativa concentra seus esforços em um tripé formado pelos pilares de pessoas, tecnologia e processos. “Essa ação integrada, aliada a uma apurada gestão de riscos, foi o que nos levou a obter bons resultados ao longo dos anos”, complementa.

Portanto, o segredo para que a Primato continue a prosperar, avalia o vice-presidente Cezar Dondoni, está no zelo aos cooperados. “Conforme vamos implantando novas áreas de atuação, o quadro vem crescendo, e a preocupação é manter-se firme nos princípios e valores que nos trouxeram até aqui”, explica. 
  

Para não se perder no caminho é preciso manter o foco nas pessoas, ser transparente, oferecer solução ao cooperado e investir em treinamento constante
- Alison Petermann


MUITO ALÉM DE SUPERMERCADO
Quem pensa que a Primato é apenas uma rede de supermercados, não imagina o leque de atividades da cooperativa. Tem forte presença no varejo, sim, mas com 76% dos cooperados pronafianos, ou seja, pequenos produtores; é, por essência, uma cooperativa de produção. 

Os supermercados existem para atender ao cooperado, mas não são o carro chefe. O foco é pegar o milho e a soja e transformar em alimento para os animais, seja para a piscicultura, avicultura, suinocultura, gado de leite ou de corte.

O raciocínio por trás dessa estratégia é claro. “O cereal que as unidades de Toledo, Verê e Dourados recebem volta para a propriedade em forma de alimento. Até mesmo ração para cachorro e gato estamos produzindo”, explica Sabadin.
  

“Alicerçada em sua história, a Primato vem cumprindo a sua missão, que é fortalecer o produtor, dar suporte em momento de crise e contribuir para o desenvolvimento e progresso nas comunidades onde atua”
 -
 Anderson Sabadin


UM POR TODOS, TODOS POR UM
Lá atrás, foi a dificuldade dos produtores da cadeia leiteira e de suínos que ensejou os primeiros passos da Primato. Passadas mais de duas décadas, novamente surge um novo movimento, desta vez, em parte, alavancado pela crise na suinocultura.

Temos uma média de 30 novos cooperados por mês. Por que? Num momento de risco para a suinocultura, a Primato não cortou nenhum produtor. Quem está na cooperativa é menos afetado que os produtores independentes”, observa Sabadin. 

É esta segurança que está trazendo novos cooperados. “Hoje, por exemplo, nós temos o travamento do preço da ração. A cooperativa deixa de ganhar revendendo o grão, e prefere travar o preço da ração, beneficiando o produtor”, acrescenta Dondoni.

Isso sem falar na relação ganha-ganha, um dos pilares do cooperativismo. “Nós atendemos todos os produtores que vêm até nós. Compramos o alface do nosso produtor, a uva, a ovelha, e colocamos lá nos supermercados. Automaticamente, ele volta para comprar o insumo, a semente, o fertilizante, a ração. É nessa ajuda mútua que acreditamos”, enfatiza. 
 

“Nossa ideia é diversificar para crescer, porque se o produtor tiver na Primato tudo o que ele precisa, ele não vai buscar fora”
- Cezar Dondoni


PRIMATO MAIS VERDE 
O termo sustentabilidade ganhará uma nova dimensão na Primato. Em parceria com a Volvo, instalada no Biopark, será montado o primeiro motor a biogás para abastecer a frota da cooperativa. O caminhão vai até a propriedade levar o suíno e lá abastece com energia gerada pelo dejeto animal. O projeto faz parte do Programa Paraná Energia Rural Renovável.

Outra iniciativa foi a aprovação, na reunião do conselho, de 50 usinas de painel solar para os produtores com maior reciprocidade. A Primato também estuda investir num projeto de energia eólica nos Campos Gerais e todos os seus produtos de alimentação animal tem carbono zero.

Estamos trabalhando muito forte na questão da sustentabilidade. Queremos propriedades que preservam o meio ambiente e tenham qualidade de vida para quem mora lá”, diz o presidente.

Esta preocupação reforça a relevância da agenda ESG (sigla para práticas ambientais, sociais e de governança) para a cooperativa, e também de seu alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Embora a agenda ESG não seja uma novidade para nós, os novos tempos exigem um comprometimento ainda maior. Estamos trabalhando intensamente para cumprir nossos compromissos socioambientais até 2030 e impulsionar verdadeiras mudanças”, salienta Sabadin.

Para exemplificar, em 2021, a Primato foi premiada pelo Troféu Sesi/ ODS de Melhores Práticas em Segurança, Saúde e Bem-estar por seus programas e protocolos que ajudam a cuidar do colaborador em todos os aspectos, com ações contra o tabagismo, incentivo à alimentação saudável, combate à hipertensão e a realização de exames preventivos e mamografias gratuitas.

As ações voltadas à pandemia também foram destaque, já que antes mesmo da exigência em lei, a cooperativa já adotava o uso de máscara e seguia o Plano de Contingência referente às medidas de prevenção à Covid-19, garantindo assim a continuidade das atividades e um baixo índice de funcionários infectados.
MAIS TECNOLÓGICA TAMBÉM
Enquanto grandes corporações têm dificuldade para “virar a chave” e se adaptar às inovações, a Primato se antecipou implantando novos sistemas, e-commerces, assistente virtual e aplicativo de venda. “Usamos a tecnologia a nosso favor. Não em substituição da tarefa humana, pelo contrário, está sendo usada para sobrar mais tempo de tomarmos um café com o produtor, para discutirmos coisas estratégicas”.

Todos os segmentos de atuação da cooperativa tem APP. “A Casa Vergara, os supermercados, as farmácias e as agropecuárias têm aplicativo. O cooperado não fecha negócio pelo APP, mas acompanha tudo por lá. Isso nos colocou um passo à frente. Quando veio a pandemia, estávamos prontos”, diz Sabadin.

OLHAR PARA O FUTURO
Além de novas unidades de recebimentos de cereais, novas fábricas de ração e até a primeira unidade da Primato Credi, está prevista a construção de um frigorífico bovino. “É um projeto ousado, mas muito bem pensado”, afirma Cezar Dondoni. Hoje, a Primato tem parcerias com cooperativas coirmãs para o abate de frango, peixe e suíno.

A industrialização do leite e o abate de suínos são feitos pela Frimesa, cooperativa da qual a Primato é sócia. O abate bovino, porém, é feito por terceiros. O frigorífico vem para atender a demanda de varejo e dar vazão ao projeto de bovino de corte já em andamento. 

Neste olhar para o futuro, a diversificação continua sendo o eixo central. A Primato, reitera o diretor secretário Alison Petermann, cumpre muito bem o papel do cooperativismo, buscando solução para o cooperado.

É difícil ser assertivo com o futuro porque somos impactados diariamente por diversas variáveis, mas temos um planejamento que nos norteia. Eu vejo a Primato muito resiliente, conseguindo se adaptar a diferentes cenários”.
SOBRE A PRIMATO 
A Primato atua com integração de suínos, aves, peixes, bovinos de corte e leite. Os outros negócios são: farmácia, restaurantes, posto de combustível, casas do produtor e os supermercados.

São mais de 9 mil cooperados no Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, e presença em mais de cem municípios com produtos e serviços nestes três estados. Ano passado, repassou 39,84% das sobras aos cooperados. 

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