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Edição 163
Entrevista – Dagmar Pedrozo

Adetur, novos caminhos para o turismo regional

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Priscila Rabaiolli

Publicado em 20/07/2022


Esportes náuticos, Foz do Iguaçu. Crédito Aguaray Eco Esportes
 

Adetur Cataratas e Caminhos, Agência de Desenvolvimento Cultural e Turístico da Região Cataratas do Iguaçu e Caminhos ao Lago de Itaipu. O nome é grande. A missão também.

Se você ainda não viu nada sobre a Adetur e o seu trabalho, que já tem uma década, está perdendo a oportunidade de conhecer melhor a região Oeste. Nesta entrevista, Dagmar Cilene Pedrozo, presidente da entidade, fala sobre os trabalhos, perspectivas e desafios. 

Como nasceu a Adetur?
A Adetur nasceu em maio de 2012 e é resultado da unificação do Fórum de Turismo Cataratas e Caminhos e do Instituto de Turismo e Eventos Caminhos ao Lago de Itaipu. Surgiu da necessidade de se ter uma instituição que representasse tanto a iniciativa pública, a privada e o terceiro setor e que pudesse ser um órgão representativo de todo o turismo da região.

A Adetur é a Instância de Governança do Turismo Regional, conforme estabelecido pelo Ministério de Turismo, através do Macro Programa de Regionalização do Turismo e de uma lei estadual que define as regiões turísticas do Estado do Paraná. Atualmente, o Paraná conta com 15 regiões turísticas. 

Quais regiões a Adetur Cataratas e Caminhos representa?
Ela é formada pelos seguintes municípios: Céu Azul, Diamante D'Oeste, Entre Rios do Oeste, Foz do Iguaçu, Guaíra, Itaipulândia, Marechal Cândido Rondon, Matelândia, Medianeira, Mercedes, Missal, Pato Bragado, Ramilândia, Santa Helena, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu e Terra Roxa.
 
Balneário, Santa Helena. Crédito Prefeitura Municipal

Quais os objetivos na época?
Na época, além de ter um órgão representativo que fosse trabalhar de forma integrada o desenvolvimento turístico da região com as prefeituras, setor privado e instituições também, o objetivo era tornar uma região turística de qualidade, com atrativos de qualidade, com empreendimentos de qualidade, com infraestrutura, com produtos e serviços preparados para receber bem o turista, articular políticas públicas e fazer atividades para promover a região. 

Mudaram ao longo desta caminhada?
Várias ações estavam dentro do escopo do planejamento e elas continuam, porém de uma forma mais arrojada, tendo em vista que muitas etapas foram vencidas e hoje pode-se dizer que o principal objetivo da instituição é se consolidar financeiramente, ter uma saúde financeira para conseguir desenvolver projetos e estar sempre buscando a promoção do destino, com ações de capacitação, de participação e realização de eventos, desenvolvimento de produtos junto com projetos que são realizados e elaboração de roteiros.

Hoje são quantos estabelecimentos cadastrados? A expectativa é chegar a quantos?
Hoje a Adetur tem em torno de 60 associados. Temos uma expectativa de que esse número dobre até o final do ano, pois temos previsto um projeto para captar novos associados e a expectativa é que nos próximos anos sejam agregados ainda mais empreendimentos, haja visto o tamanho da nossa região turística, tantas empresas que estão envolvidas com o turismo, e com o tempo os empreendimentos estão sentindo confiança e reconhecendo o trabalho que a Adetur realiza e querendo fazer parte de tudo isso.    
 
Cachoeira do Tio João, Matelândia. Crédito Priscila Rabaiolli

Quais os desafios no passado? E hoje?
Os desafios no passado são alguns que permanecem ainda hoje, mas acredito que no começo de tudo foi conseguir sensibilizar a comunidade para entender o objetivo de se trabalhar com turismo, os benefícios que a atividade turística traz, juntar todos esses atores da iniciativa pública, privada e instituições para trabalhar em conjunto.

Um fator que sempre foi um problema e podemos dizer que dificulta a realização dos trabalhos é a falta de recursos que teve desde o início. A saúde financeira da instituição melhorou bastante, pois foram feitas algumas ações e estratégias para isso.

Como você analisa o potencial turístico da Região Oeste?
A nossa região turística não abrange todos os municípios da região oeste, são apenas 19 que fazem parte da nossa instituição e podemos falar mais propriamente sobre eles.

Enxergamos um grande potencial turístico na nossa região por conta da área natural que existe por aqui, temos o Parque Nacional do Iguaçu, o Parque Nacional de Ilha Grande, o Lago de Itaipu, são muitas as atividades que podem ser feitas com turismo em meio à natureza, turismo náutico e turismo de aventura.

Há também o turismo histórico e cultural, turismo gastronômico e turismo rural; então existe uma variedade imensa de experiências na nossa região.  

O pequeno produtor rural consegue enxergar no agroturismo uma alternativa de renda?
Sim, o pequeno produtor rural consegue enxergar no agroturismo uma alternativa de renda e existe uma grande tendência na região de pequenas propriedades rurais que estão empreendendo no turismo.

Aqueles produtores rurais que trabalhavam só com uma fonte de renda, que vinha da agricultura ou da pecuária, hoje eles estão agregando novos serviços, pois o ambiente rural está no meio da natureza, proporciona experiências diferentes.

Hoje em dia contamos com cafés coloniais no meio rural, temos passeio de trator, hospedagem, são várias atividades que podem ser realizadas e tem cada vez mais despertado interesse desses pequenos produtores que estão enxergando o turismo como uma segunda fonte de renda.  
 
Igrejinha de Pedra, Guaíra. Crédito Ministério do Turismo

A pandemia trouxe oportunidades para o turismo regional?
Sim, os olhos se voltaram muito para o turismo regional, as pessoas começaram a conhecer mais o que tinha próximo, o que tinha no seu entorno e isso despertou um interesse muito grande não só de quem é da região, mas quem é de fora.

O turista que vem a Foz do Iguaçu, por exemplo, hoje quer conhecer um pouco mais do que tem na região, quer ir tomar um café colonial, quer ir visitar um sítio que trabalha com turismo rural, fazer um passeio de trator, fazer uma trilha na mata.

O perfil do turista mudou, ele está fugindo do turismo de massa e quer viver novas experiências. O turismo regional, por não trabalhar em grande escala, se encaixa nisso.

Quais os principais obstáculos para o desenvolvimento do turismo na região?
São vários os obstáculos. Precisamos de tudo, a começar por uma grande sensibilização da comunidade. Os empresários precisam enxergar o turismo como fonte de renda, como fonte de recursos que vêm de fora, que geram impostos para a cidade.

O turista gasta não só com o que está ligado diretamente ao turismo, mas com uma cadeia produtiva que envolve mais de 500, 600 tipos de prestadores de serviços. Então, o que falta pra nós hoje é muito essa parte de sensibilização do empresariado, da comunidade para enxergar o turismo como uma atividade econômica realmente que não polui, que traz recursos e que gera emprego e renda.    
 

Os desafios no passado são alguns que permanecem ainda hoje. O principal deles é a sensibilização

 
Dagmar Cilene Pedrozo, atual presidente da Adetur Cataratas e Caminhos 

Faltam políticas públicas? 
Sim, faltam. Na verdade tem se trabalhado ao longo desses anos para que essa questão seja melhorada, para que se possa ter um suporte na condução dos trabalhos. Alguns municípios acabam desenvolvendo algumas políticas públicas próprias, porém temos uma carência em relação a políticas públicas para alguns segmentos, principalmente o turismo rural.

Hoje, ele não é bem regulamentado, não tem uma orientação muito legalizada e também outros tipos de leis que possam auxiliar no desenvolvimento turístico da nossa região.   
 

Alguns municípios desenvolvem políticas públicas próprias, porém temos uma carência grande em relação a isso


Na sua opinião, o público local não descobriu o potencial que há por aqui ainda?
Na verdade estamos num processo de descobrimento. A comunidade local tem cada vez mais conhecimento das opções na região, e isso se deve muito ao trabalho que a Adetur tem feito nas mídias digitais para divulgar os atrativos.

Como a internet não tem barreiras, essas informações estão despertando também o olhar de gente de fora. Ainda assim há muito a se fazer. Precisamos ainda que parceiros, agências e operadoras comecem a comercializar os serviços e produtos turísticos da região. 
 

Precisamos que parceiros, agências e operadoras comecem a comercializar os serviços e produtos turísticos da região

   
Quais estratégias estão sendo trabalhadas pela Adetur para difundir o turismo no Oeste?
Temos alguns eixos de atuação. Temos a parte de estruturação da instituição a partir das lideranças, mas o que tem se trabalhado muito, além da estruturação de produtos e serviços, é a parte de divulgação em parceria com meios de comunicação, participação em eventos, rodadas de negócios.

Então, são várias ações dentro de um plano de marketing e comunicação para que possamos estimular não só o turismo regional, mas que possamos também receber os turistas que vêm de fora da nossa região.   
 
Balneário, Santa Helena. Crédito Prefeitura Municipal

Como vislumbram os próximos dez anos?
Nós somos muito otimistas e vemos não só a Adetur, mas a nossa região como um todo consolidada no turismo, com roteiros, com uma demanda constante, com uma saúde financeira para a instituição desenvolver os projetos, com melhor infraestrutura, sendo vista com destaque não apenas aqui, mas despontando em alguns roteiros nacionais. Potencial nós temos.
 

Nós somos muito otimistas e vemos não só a Adetur, mas a nossa região como um todo consolidada no turismo
 



Confira mais informações sobre a Adetur:
Site: www.adeturcataratasecaminhos.org.br/ 
Instagram: https://www.instagram.com/adeturcataratasecaminhos/
Facebook: https://www.facebook.com/adeturcataratasecaminhos
Telefone para contato: https://tinyurl.com/adetur

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