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Paulo Porto

Publicado em 15/03/2017

Texto e fotos: Jairo Eduardo

 

 

A trajetória ímpar do professor Paulo Porto, o "Antonio Banderas" de Cascavel

 

 

Figura singular no mundo político local, se Paulo Humberto Porto Borges fosse "apenas" indianista, antropólogo e professor doutor em educação pela Unicamp, já seria possível diferenciá-lo com alguma folga da medíocre (com mais de uma exceção) equipe do prefeito Lísias Tomé. Mas o perfil de Paulo Porto sob as quatro paredes de uma casa típica de classe média localizada no Jardim Universitário, traz algumas nuances capazes de torná-lo ainda mais enigmático.

Ou é possível interpretar em poucas palavras um comunista ateu que participa de rezas indígenas? E que trabalhou uma década para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)? Ou é fácil descrever o sedutor de elogiada estampa - herança genética de uma família paulista quatrocentona que misturou sangue espanhol com português - e que namorou dezenas de beldades, casou-se com três delas para depois converter-se à monogamia? É com essa figura de múltiplas faces que Aldeia estréia a seção Cobra Criada.

 

Fotógrafo

Porto viveu dez anos em aldeias indígenas do Mato Grosso. Fazia registros fotográficos para a CNBB. Homem de hábitos espartanos, atuou mais pelo amor à causa do que pelo salário. "Eu ganhava um salário mínimo por mês", recorda. A experiência, aliada às titulações acadêmicas que se seguiram, o habilitaram para ministrar aulas de fotojornalismo na Faculdade Assis Gurgacz (FAG).

 

Político

Presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o político Paulo Porto, embora milite em uma sigla tida como extremista, construiu sólidas relações que serpenteiam do MST à elite empresarial local. É respeitado pelo maior capitalista da cidade, Assis Gurgacz, dono da FAG. Habilidoso, trouxe recentemente para os quadros do PCdoB caciques respeitados em suas "tribos", como o médico Fernando Bacana e o árbitro Evandro Roman.

 

Intelectual

O local preferido do professor em sua residência é a biblioteca com mais

de mil volumes. "Li todos", afirma. Entre os livros preferidos dele, destacam-se a densa obra de Victor Hugo, "Os Miseráveis" (mil páginas), "O Fio da Navalha" e "Grande Sertão Veredas".  Paulo Porto também é escritor, mas reclama: "Minha paixão por filmes está acabando com o pouco tempo que tenho para ler".

 

"Banderas"

Também conhecido entre as alunas como "Antonio Banderas", Porto faz sucesso no público feminino. Recebe recadinhos no mural e abordagens, digamos, "mais diretas". Em recente atividade que repassou para uma turma jornalismo, na qual os acadêmicos deveriam produzir fotos com tema livre, uma aluna entregou imagens dela própria nua para o professor.  Questionado, Porto sai pela tangente e conta como "separa as coisas": "Digo todo dia em sala de aula que sou apaixonado pela minha mulher".

 

Liliam, a alma gêmea

No final da década de 1980, Paulo Porto conheceu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a acadêmica de História Liliam. Ambos faziam o mesmo curso, mas ela estava dois anos à frente, namorava "firme" e preparava-se para casar. "Ela nunca deu bola para mim. Foi um ano de amor platônico", diz.

Liliam casou-se, fato que se repetiria em sua vida outras três vezes. Porto ficou 12 anos sem notícias de Liliam. Em seu último dia de Unicamp, quando partia de "mala e cuia" para o Centro Oeste brasileiro, reencontrou a mulher que idolatrou na cantina da universidade.

Era sua última oportunidade. Preparou uma cantada em "alto nível", coisa de doutor. Jogou todas as fichas em um poema de Maiakovski, no qual o nome Liliam aparece no diminutivo. Funcionou. Porto e Liliam vivem juntos há sete anos com os dois filhos dos casamentos anteriores dela e a menina do casal, Laura, de 6 anos.

 

Terapia

Não foi fácil conviver com os "fantasmas" das relações conjugais anteriores. Ambos recorreram à terapia e decidiram deixar Mococa, cidade de 80 mil almas no interior de São Paulo, divisa com Minas Gerais. "Eu disse para a Liliam: nesta cidade tem ex-marido seu demais para meu gosto", descontrai o professor, brincando com o inusitado: ele e a mulher já tinham no "currículo", somados, sete casamentos.

Foi quando o casal escolheu Cascavel para viver, no ano 2000. Eles passaram a lecionar na Unipar. Hoje Liliam está na Unioeste, onde é doutora em Educação. Pergunta inevitável: haverá mais "casórios" nesta história? "Se depender de mim não. Sou profundamente apaixonado pela Liliam. Os casamentos anteriores mostram que é preciso viver pequenos amores para se preparar para o grande amor da vida", filosofa o professor, que mandou tatuar no braço direito o nome da amada em russo, idioma do poeta Maiakovski.

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