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Mais um livro pelas mãos de Rosa

Em mais de 200 páginas, Rosa traz uma coletânea de fotos de sua trajetória artística. O lançamento será no dia 20 de setembro, às 20 horas, no Teatro Municipal


 
Dirceu Rosa
O escultor Dirceu Rosa lança, no dia 20 de setembro, às 20 horas, no Teatro Municipal de Cascavel, o seu segundo livro: “50 anos criando com as mãos”. Em mais de 200 páginas, Rosa traz uma coletânea de fotos e textos (bilíngues) de sua trajetória artística.

Neste livro, segundo a jornalista Rejane Martins Pires, responsável pelo prefácio, Dirceu convida o leitor a uma viagem, partilhando o encanto de seu trabalho, uma espécie de mosaico de minúcias, em que o protagonista, ele próprio, aventura-se a cada nova obra como uma forma de viver e levitar. 

As esculturas de Dirceu Rosa, escreve Rejane, alcançaram cedo a maturidade, tensão entre rigor e obstinação, pelas mãos e dedos, é claro, matéria de toda a sua produção artística. “Síntese de que a beleza não está apenas no que é visível, no conhecido, sua obra traz uma beleza imaterial”, acrescenta.

É aí que está o seu combustível. Escultor daqueles que domina a técnica a ponto de esquecê-la, ele deixa para o observador todo o mistério da arte. “E há um segredo nisso: Rosa nunca olhou em volta, não buscou tendências, não procurou sintonias. Descobriu-se um escultor em madeira e trabalhou a matéria para si, com paixão, como um tributo a si mesmo e a seu desejo”, diz a jornalista.

Ainda de acordo com ela, quando elegeu um elemento “singular” para suas esculturas (o dedo é sua identidade), Rosa não se ateve somente à anatomia humana. “Ele retrata esta fisicalidade, sim. Mas transcende e alcança o nível de obra de arte. É por esta razão que sua produção se distingue e se torna atemporal. E, se o tempo é o artesão das qualidades, Dirceu Rosa é o artesão do tempo”.

 
SERVIÇO
Lançamento

 
Convite de Lançamento
Livro “50 anos criando com as mãos”, de Dirceu Rosa
Data: 20 de setembro
Horário: 20 horas
Local: Teatro Municipal de Cascavel



 


Abaixo o prefácio do livro na íntegra:


Uma rosa para Dirceu
 
“É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar”
Anatole France


As esculturas de Dirceu Rosa alcançaram cedo a maturidade, tensão entre rigor e obstinação, pelas mãos e dedos, é claro, matéria de toda a sua produção artística. Síntese de que a beleza não está apenas no que é visível, no conhecido, sua obra traz uma beleza imaterial. 

É aí que está o seu combustível. Escultor daqueles que domina a técnica a ponto de esquecê-la, ele deixa para o observador todo o mistério da arte. E há um segredo nisso: Rosa nunca olhou em volta, não buscou tendências, não procurou sintonias. Descobriu-se um escultor em madeira e trabalhou a matéria para si, com paixão, como um tributo a si mesmo e a seu desejo.

Quando elegeu um elemento “singular” para suas esculturas (o dedo é sua identidade), não se ateve somente à anatomia humana. Ele retrata esta fisicalidade, sim. Mas transcende e alcança o nível de obra de arte. É por esta razão que sua produção se distingue e se torna atemporal. E, se o tempo é o artesão das qualidades, Dirceu Rosa é o artesão do tempo.

Ao mesclar mãos em suas obras, um desafio que exige delicadeza e talento, constrói uma estética paradoxal. O material é pesado. As peças são compostas de linhas rígidas. Mas, pela composição magistral, se tornam essencialmente leves e belas. Ao olhar do observador, são esculturas com força poética, quase sem matéria e sem peso. Esculturas de luz.

A sua criação, ao longo de quase cinco décadas de ofício, tornou-se um projeto de ancoragem no mundo, uma obra que se projeta efetivamente no campo da existência. Não é apenas a sua mente e suas mãos que esculpem, mas a sua alma. A consciência do artífice vai além dos próprios limites. 

Rosa fala de gente, fala da simplicidade da terra e evoca o céu com tanta maestria que não se atém somente em comunicar uma mensagem, mas em elaborar texturas sensíveis. Neste processo, atinge uma potência dissimilar. Suas peças não são “cópias” da realidade. São criadas e organizadas com elementos diversos que compõem algo uno, numa articulação que cria diferentes ritmos e maneiras de contemplação.

Se, durante algum tempo, ficou conhecido por suas obras sacras, agora retorna ao elemento essencial de toda a sua criação: a liberdade. Confronta-se novamente com o desafio de centrar seu pensamento nos esconderijos de sua alma. É lá que está Dirceu. É pra lá que ele volta e será de lá que ouviremos os cantos de sua intimidade, sua força criativa, seu olhar repousado sobre a vida e a esperança...

Neste livro, o escultor nos convida a viajar por sua obra e partilhar o encanto de seu trabalho, uma espécie de mosaico de minúcias, em que o protagonista, ele próprio, aventura-se a cada nova obra como uma forma de viver e levitar! 

E, assim como as rosas guardam seus mistérios e, a cada pétala desfolhada, se abrem ao mundo, Dirceu, o nosso Rosa, evoca lembranças e revitaliza sua memória pessoal para nos entregar uma obra excepcional, cuja maior riqueza é a preservação e compreensão de sua identidade enquanto escultor. Fazendo isso, nos brinda com a possibilidade de conhecer sua trajetória que está muito além do que se vê! 


Rejane Martins Pires
Jornalista e escritora



Algumas imagens de obras das páginas:
"Germinação" - Madeira - 51x40cm "Mulher com Peixe" - Madeira - 130x68cm "Peixes" - Madeira - 110x135cm "O Corte" - Fibra de Vidro - 120cm "Leitora" - Madeira - 96x62cm "O Olhar" - Madeira - 56x119cm "Abraço" - Madeira - 72x63cm "Diversidades" - Madeira - 131x55cm "A Proteção" - Fibra de Vidro - 164x95cm "Gestante" - Madeira - 120x49cm

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