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Edição 121
Empreendedorismo

Silvia, a única!

Das 246 engenheiras civis de Cascavel, segundo dados do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea), Silvia Vendramin é a única que encara um trabalho bem restrito para mulheres: fundações

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Fabio Conterno
Silvia Vendramin, na Rua Visconde de Guarapuava, centro de Cascavel: cidade que ajudou a levantar
Silvia Vendramin tem sangue italiano correndo nas veias. Mulher segura, inteligente, cheia de energia e espírito livre, cresceu quebrando mitos. Apaixonada por cálculos e raciocínio lógico, nunca teve dúvidas sobre sua profissão. Formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na década de 1990, época de poucas mulheres na área de exatas, e, desde então, encara uma rotina pra lá de puxada!

Como não bastava ser engenheira, tinha de ir para uma área mais restrita. Das 246 engenheiras civis de Cascavel, segundo dados do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea), é a única que trabalha com fundações. Fazer buracos, literalmente, está no seu dia a dia. Chefiar equipes masculinas também. Por isso mesmo, aprendeu desde cedo o peso da palavra postura. Se alguém vinha com uma piadinha, a engenheira já emendava: “Se concentra, rapaz!”.  

Foi assim, sem muito mimimi, que construiu seu próprio alicerce. “Neste mercado, se você não se impor não sobrevive”, ressalta. Ao lado do pai, seo Valter Vendramin, que aos 88 anos mantém-se na ativa, já executaram mais de mil projetos. “Com seus altos e baixos, a construção civil tem deixado um legado importante em nossa cidade. Me sinto orgulhosa vendo Cascavel hoje”, diz, ao lançar olhares sobre um passado bem recente.

 
PODER FEMININO

Inquieta por natureza, Silvia traz arraigado o “pensamento em rede” elaborado pela antropóloga americana Helen Fisher para descrever a capacidade mutidisciplinar das mulheres. Para ela, educar os filhos Ana e João, cuidar dos pais, administrar a empresa, gerenciar equipes, prospectar novos negócios e ainda ter tempo para si (faz corrida de rua, natação, musculação e muay thai) é o retrato de uma geração que foi criada para ganhar o mundo. “Pela minha experiência de vida sempre vi a mulher numa posição superior ao homem, então a questão de gênero, principalmente na profissão, nunca foi determinante. Mas tem uma coisa: a mulher nunca pode errar”. 


ESPAÇOS SOCIAIS

Numa espécie de retribuição pela sua formação superior em escola pública, Silvia tem outra característica bem peculiar. Desde o início da carreira faz questão de envolver-se em entidades de classe, como Associação dos Engenheiros e Arquitetos, Sinduscon, Crea e Acic Mulher. “São espaços que fazem a gente evoluir como ser humano e contribuir para um mundo melhor”.

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