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Eleições na OAB

Cascavel terá bate-chapa

A OAB Paraná realiza nesta quinta-feira (22) as eleições das diretorias e conselhos da Seccional e das subseções.

Texto Rejane Martins Pires
Serão preenchidos cargos do conselho seccional e sua diretoria, conselheiros federais, diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados (CAA-PR) e diretorias das 48 subseções ou conselhos subseccionais. A Revista Aldeia entrevistou os dois candidatos à Subseção Cascavel, Jurandir Parzianello, da chapa “OAB para Todos” e André Beck Lima, da chapa “XI de Agosto”. Conheça as propostas das duas chapas.
 
OAB PARA TODOS

Jurandir Parzianello
Jurandir Parzianello é advogado, casado, pai de duas meninas, especialista em Direito Administrativo, com atuação no campo do Direito Empresarial, Especialista em Filosofia e Psicanálise pela Unioeste. Mestre em Direito Processual e Cidadania pela Unipar. Um idealista.


Quais razões o motivaram a se candidatar a presidente da OAB?

Primeiro, atuei junto de uma comissão de advogados que queriam contribuir e investimos forte na tentativa de união da situação, mas devido ao grupo que esta gerindo a OAB não ter aceito a integração, sob a justificativa inaceitável de ter pouco tempo (tínhamos 4 dias até o registro da chapa), percebemos que tinha algo errado e resolvemos que reagir. Integrar e unir a todos sempre será um sonho. Lamentavel o grupo da atual gestão, que está ha 9 anos frente a OAB, nao fez acontecer este ideal que acredito ser de toda classe.


Como foi formada a chapa de vocês?

Após a negativa do grupo da situação que não quis abrir espaço para integração, em algumas ligacoes de telefone, conseguimos unir advogados novos que nunca tinham participado de nenhuma eleição, com ex integrantes XI de Agosto, da Unida e da Democrática, formando um novo projeto, que chamamos "OAB PARA TODOS", com o propósito de renovação, numa plataforma de inclusão.


Quais serão as prioridades da sua gestão?

Primeiro, iremos abrir as portas da entidade chamando a todos advogados e advogadas para ouvir o que pensam e necessitam da OAB e o que almejam contribuir, dentro de um planejamento estratégico participativo, aberto, inclusivo e transparente. Atualmente inexiste plano de gestão na entidade e isso fará toda diferença. As criticas e os anseios de todas advogadas e advogados serão pesquisados e isso qualificará nossas ações, com alcance dirigido para todos.


Quais são hoje, em sua opinião, as principais demandas da advocacia em tempos de crise?

Sem dúvida, identificar ações institucionais que gerem ganhos de honorários justos, valorização de toda classe, além da defesa de suas prerrogativas e investimento intensivo na qualificação dos advogados, disponibilizando cursos e conteúdos alinhados com as necessidades que apontarem. Entendemos que o conhecimento é o maior agente transformador e emancipador dos advogados. Quanto mais capacitado maior é a garantia de crescimento pessoal, intelectual, profissional e financeiro.

 
Você é a favor ou contra a reeleição na OAB?

Totalmente contra, tanto que firmamos o compromisso em escritura pública de não reeleição. Uma entidade de classe não pode ficar nas mãos dos mesmos 9 anos como vemos agora, com a Diretoria revezando se nas mãos de um grupo fechado. Já deram sua contribuição, mas este modelo de manutenção do poder muitos não se sentem representados, a mudança chegou, deixe a entrar por favor. Se a Ordem defende a democracia precisa dar o exemplo. Só há domocracia com alternâncias, que é salutar para oxigenar a entidade.


Como vê a participação dos jovens advogados na política da Ordem? E das mulheres? Há alguma proposta neste sentido?

Pode ser bem maior. Todos serão convidados pessoalmente a participar. Sem a inclusão pluralista e constante, a entidade perde representatividade. Para advogados iniciantes vamos ouvi-los e complementar seu conhecimento, além de realizar ações que abram espaço e democratizem o mercado com honorários mais justos, maior estímulo à participação na entidade, qualificação alinhada com suas necessidades, criação de listagem de advogados dativos transparente e por aplicativo, além da defesa da tabela de honorários em audiências, realizadas para escritórios de fora, para garantir lhes mais ganho na fase desafiadora do início da carreira. Quanto às Advogadas, além de defendermos 50% da participação das comissões e alternância a cada ano para mulheres presidirem em nível de igualdade as mesmas, precisamos avançar na superação de preconceitos e ações que garantam proteção de prerrogativas e dignidade no exercício da profissão pelas Advogadas. Tanto os advogados Iniciantes quanto as advogadas, serão a grande novidade em nossa Gestão, pois terão voz e vez.


A OAB tem sido criticada pela perda de relevância e falta de transparência. Como analisa isso?

Talvez por um grupo ficar nove anos no comando, acaba se acomodando e quando o controle da entidade fica nas mãos de poucos, como é atualmente, sem um projeto se gestão, a maioria não sente se incluída, se afastam e acaba a entidade perdendo força, pois muitos não sentem se representados por este modelo de continuísmo, nas mãos dos mesmos. Isso também acaba afetando a transparência de todos atos, contas e do processo decisório, que hoje é limitada e queremos aumentar um modelo de Ordem 100% transparente. Temos que dar o exemplo para poder cobrar de outros entes. Temos que estimular que novas lideranças e sangue novo renovem a entidade. Neste caso, a OAB para Todos representa a oportunidade de inovação nesta eleição.


E em relação à demora de posicionamento em casos polêmicos, a exemplo da corrupção? 

Isso é inaceitável, pois além da defesa das prerrogativas e valorização do advogado, a Ordem defende a legalidade, o Estado Democrático de direito e a sociedade. Recuperaremos este protagonismo social especialmente no combate à corrupção e estímulo ao controle social da Administração Pública, inclusive do Poder Judiciário, que necessita também de choque de gestão e só se faz Justiça com mais Juízes e servidores no interior.


A OAB tem se comunicado de forma efetiva com seus membros?

Há uma queixa geral sobre o modelo de comunicação atual, que entendemos ser ultrapassado ineficaz. Em nossa Gestão propomos inovação tecnológica e maior uso de mídias sociais. Temos que produzir conteúdos úteis ao aperfeiçoamento dos advogados. 


Na sua opinião, qual a importância de se manter uma boa comunicação?

É primordial, como estudaremos as necessidades e críticas para agirmos? Temos esta diferença com chapa da situação. Não iremos ficar esperando os problemas temos o estilo de ir atrás deles para enfrentá -los, diagnosticar soluções e implantá las, de forma compartilhada com a classe, que através de um aplicativo que chamamos OAB TECH, terá um canal de comunicação direto com a Ordem, full time. Sem inovação tecnológica a comunicação e a gestão sao ineficientes. A Ordem fica ilhada. 


Afinal, qual é o papel da OAB? Ela tem cumprido isso aqui em nossa cidade?

Primeiro, quem hoje está gerindo a Subseção já deu sua contribuição e agradecemos, mas 9 anos já se passaram e a alternância fará muito bem a Ordem. O papel da entidade prioritário é a defesa de forma eficaz das prerrogativas profissionais de seus integrantes, mediante ações de valorização e fortalecimento da classe, que promovam e garantam a dignidade aos advogados(as), além da defesa do estado democrático de direito e atuação em demandas de interesse da sociedade. Sentimos pelas críticas de inúmeros  advogados existir a idéia comum que o restrito  grupo  que esta gerindo a entidade há 9 anos,  perdeu o protagonismo, com isso o reconhecimento, a representaividade social e perante a classe. Em nossa Gestão o protagonismo será ampliado, tanto em favor dos advogados, quanto em relação às bandeiras da sociedade. A Ordem precisa antecipar se as pautas caras dos advogados e da comunidade. Está inserida num mundo em ebulição. 


Por que, afinal, votar na chapa “OAB para todos”?

Porque somos a oportunidade de alternância democrática valiosa, porque os Advogados idealistas que integram nossa chapa são dedicados e compromissados em realizar um trabalho sério, transformador e positivo, em prol de toda classe. Convido aos advogados e advogadas que conheçam nossas inovadoras propostas no site "OAB para Todos”. No dia 22 vote em mudança, vote 22.



XI DE AGOSTO

André Beck Lima
André Beck Lima, advogado, 40 anos, exercendo a advocacia há 17 anos. Casado com Veridiana Beck Lima e pai de dois filhos (Henrique Beck Lima – advogado - e Amanda Beck Lima - estudante de medicina). Professor universitário na FAG há 12 anos. Foi conselheiro da OAB, coordenador do Setor de Processos Disciplinares, membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB e atual vice-presidente da OAB Subseção de Cascavel. Candidato a vice-presidente pela chapa XI de Agosto.


Quais razões o motivaram a se candidatar a presidente da OAB? 

Entendo que, por fazer parte da advocacia de Cascavel e região, sinto a necessidade de participar ativamente junto a nossa instituição, como de fato venho fazendo nos últimos nove anos em diversos setores da OAB (conselho da Subseção, setor de processos disciplinares, Tribunal de Ética e na vice-presidência). Somente participando ativamente e entendendo os problemas e anseios dos advogados e advogadas é que podemos tratar e gerir os assuntos inerentes a advocacia. Minha trajetória junto à Ordem nos últimos anos me credencia a disputar uma eleição em nossa Subseção. 


Como foi formada a chapa de vocês? 

A nossa chapa foi formada ao longo dos nossos anos de trabalho. A Ordem sempre teve suas portas abertas a todos os advogados e advogadas da subseção e nessa jornada identificamos muitas pessoas que se doaram pela instituição, trabalhando em comissões, conselho, diretoria, etc... A chapa “XI de Agosto” sempre valorizou duas coisas importantes: a experiência daqueles que vivem a Ordem e se doam, e aqueles que querem iniciar este trabalho de abnegação em prol da advocacia. Assim, formamos um chapa com 28 membros, dos quais seis foram reconduzidos da atual gestão, pelo seu trabalho e experiência, e 22 novos membros que demonstraram ao longo do tempo que têm perfil para dar continuidade a um belo trabalho que a “XI de Agosto” vem realizando nos últimos anos aqui em Cascavel, e em todo o Estado do Paraná. Metade da nossa chapa é composta por advogadas, outra metade composta por advogados. 


Quais serão as prioridades da sua gestão? 

Nossas prioridades estão elencadas em nosso rol de proposta, e são muitas; de forma resumida, podemos destacar a incessante qualificação do advogado; a defesa incansável por nossas prerrogativas, especialmente com a instalação da Procuradoria das Prerrogativas; a valorização da mulher advogada; a preocupação e prevenção com a qualidade de vida e saúde da advogada e do advogado, pois o oficio da advocacia é extremamente extenuante; e também projetos que tragam um estreitamente com a população e mostrar à sociedade civil a importância da instituição OAB, resgatando o devido respeito a profissão do advogado e advogada. Daremos continuidade ao excelente trabalho que nas últimas gestões vem sendo feito, para a ampliação de varas estaduais, federais, juntamente com os Tribunais, para que os advogados e advogadas consigam trabalhar e gerar resultado ao jurisdicionado. 


Quais são hoje, em sua opinião, as principais demandas da advocacia em tempos de crise? 

Como já mencionado, talvez um dos gargalos de maior relevância para a advocacia, que acaba gerando uma insatisfação ao advogado, é a falta de estrutura do Estado par a devida prestação jurisdicional ao cidadão. A morosidade acaba refletindo no retorno financeiro do advogado. Já fizemos bastante contra isso. E continuaremos fazendo. Essa é uma busca incessante. Defesa de prerrogativas também é demanda recorrente. Continuaremos batalhando na defesa intransigente das prerrogativas profissionais, resgatando o respeito e o patamar constitucional da advocacia. 


Você é a favor ou contra a reeleição na OAB?

Particularmente, se for alçado à presidência da Ordem, jamais concorrerei à reeleição. A XI de Agosto em regra avalia alguns critérios para a escolha de um ou mais candidatos à disputa do pleito, pois não seria plausível indicar uma pessoa que não vive a Ordem. Relevante lembrar que a política de Ordem é diferente da política pública partidária. A OAB necessita ter independência funcional. Qualquer ligação política da instituição torna suspeita sua atuação. 


Como vê a participação dos jovens advogados na política da Ordem? E das mulheres? Há alguma proposta neste sentido? 

A participação do jovem advogado e das mulheres é fundamental. Prova dessa assertiva é que nossa chapa é composta por cerca de 80% de advogados e advogadas novos. Em relação à participação das mulheres, em todas as gestões da XI de Agosto aqui em Cascavel sempre foi valorizada a participação feminina. A OAB Cascavel sempre teve suas portas abertas para aquele advogado ou advogada que queira doar seu tempo e conhecimento para a instituição. A CAJ (Comissão da Advocacia Jovem) fez um trabalho de excelência e de inclusão do jovem advogado na última gestão. O mesmo ocorreu com a Comissão da Mulher Advogada. Inúmeros cursos de capacitação profissional foram realizados em ambas as comissões. Resultado disso é a formatação da atual chapa da XI de Agosto, com muitos jovens e muitas mulheres. A OAB tem sido criticada pela perda de relevância e falta de transparência. Como analisa isso? A OAB é uma das instituições de maior relevância do país. A OAB sempre tratou dos assuntos relevantes com seriedade, e evita qualquer viés político que algumas pessoas tentam incutir em nossa instituição. A OAB é um órgão que presta todas as informações necessárias aos órgãos pertinentes e aos seus membros vinculados. Todos os advogados e advogadas inscritos no quadro da Ordem têm acesso à suas informações. Essas informações são de interesse da instituição e daqueles que fazem parte de seus quadros. A Ordem não recebe nenhuma verba governamental. 


E em relação à demora de posicionamento em casos polêmicos, a exemplo da corrupção? 

A OAB sempre esteve atenta e partícipe das grandes questões sociais e polêmicas. A participação da OAB é histórica nos eventos relevantes do cenário local e nacional. A corrupção é endêmica no Brasil. Se você analisar o contexto, verá que OAB sempre se manifestou. A OAB age com vigilância e cautela, pois somos defensores do Estado Democrático de Direito e nossa “bandeira” é a Constituição Federal. Vale frisar que a Ordem não faz política partidária comum. Temos independência funcional. Aliás, é esse o motivo que proíbe dirigentes da Ordem de exercerem cargos públicos. Assim continuaremos para ser uma das instituições mais respeitada do país. 


A OAB tem se comunicado de forma efetiva com seus membros? Na sua opinião, qual a importância de se manter uma boa comunicação? 

A OAB utiliza de todos os meios possíveis para estar sempre em contato com os seus membros. Importante desatacar que esta via é de mão dupla: os advogados e advogadas devem manter sempre seu cadastro junto a OAB atualizado. Isso é imprescindível para o resultado da comunicação. A importância da comunicação é primordial. As portas da OAB sempre estiveram abertas para todos os advogados e advogados de Cascavel e região. Basta querer trabalhar e se dedicar à Ordem. Primamos pelo contato humanizado da advocacia. Não olvidamos das tendências tecnológicas. Mas advocacia é sacerdócio. Precisamos do contato pessoal. Relações se constroem com pessoalidade e confiança. 


Afinal, qual é o papel da OAB? Ela tem cumprido isso aqui em nossa cidade? 

Posso responder pelo período em que atuo: a OAB Cascavel trabalhou muito na última década. Construiu várias pontes para o bom desenvolvimento da advocacia na região, além de ter investido muito em duas grandes obras voltadas exclusivamente para os advogados e advogadas da Subseção. A OAB Cascavel fez muito, mas ainda tem muita coisa para fazer, até porque a advocacia na nossa Subseção cresceu em números exponenciais. A OAB não para de investir no advogado, esse é o maior legado que a XI de Agosto fez e continuará a fazer pela advocacia. 


Por que, afinal, votar na chapa “XI de Agosto”? 

Porque a XI de Agosto trabalha muito pela advocacia. Porque temos propostas. Porque somos um grupo de advogados e advogadas que possuem independência e muita força de vontade para buscar a melhoria da advocacia e deixar um legado melhor aos nossos filhos. Basta olhar pelo “retrovisor da vida” dos advogados e advogadas da Subseção de Cascavel que enxergaremos o tanto de obras físicas e imateriais que a XI de Agosto fez nos últimos anos. 

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